O salário de um músico

28.7.12

Para um concerto o músico precisa de praticar (um número incontável de horas, por vezes uma vida inteira quando falamos de música com real qualidade), ensaiar com os restantes músicos se for o caso,  carregar o material no dia do show (que pode incluir o instrumento musical, amplificadores, cabos, tripés, colunas, mesas de som, etc.), viajar até ao local do concerto (que pode demorar horas e incluir trânsito e afins), montar o material, fazer o sound-check (significa teste de som, ou seja, fazer as equalizações e nivelações devidas no som), tocar uma, duas, três horas conforme o combinado, aturar os bebâdos (quando calha!), e desmontar tudo de novo.


Esta é a tabela de cachets "aconselhados" aos músicos. Pois cada vez mais se afasta da realidade. Nos bares estão teimando de pagar uma média de 50€ pelo grupo que actua (e não por músico). Alguns conseguem ainda dar uns 70€ (novamente pelo grupo, o que num duo por exemplo seria 35€ - quase metade do mínimo que aparece na tabela). Em alguns casos [verídicos] a ignorância é tal que oferecem 15€ por músico (digamos, para tocar numa noite) o que cai completamente no ridículo.

A situação nos restaurantes não é diferente. E se tocar em câmara municipal tenha muito cuidado com a data de pagamento pois conseguem demorar um ano (sim, 365 dias) a realizar o pagamento devido às burocracias.

Ao contrário do que aparece na tabela, quando virem um músico actuar em um programa de televisão daqueles que passam de manhã ou à tarde nos 3 canais principais da tv portuguesa, não acreditem que recebe cachet. A história é outra. Chama-se "promoção" ou "divulgação". Toca-se muito na tv grátis hoje em dia, a não ser que seja um programa preparado como os de entretenimento ou que incluem concurso como ao domingo à noite.

O mercado musical está numa queda contínua nos últimos anos (diria com certeza que os últimos 4 anos foram realmente significativos), e infelizmente a crise em Portugal só veio acentuar mais esta situação.
Ser músico profissional é uma profissão, um trabalho (não um hobbie). Envolve muita disciplina, emoção e dedicação!

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48 comments

  1. sei bem do que falas, tenho pessoas muito próximas a viver da música (essencialmente à noite, em bares e etc) e não é fácil. mas vale a pena :)

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  2. sem falar k a maioria dos musicos que comecem, tocam muitas vezes em bares sem receber nada a nao ser umas cervejas (nos primeiros meses). só pela "publicidade" e para fazer um nome.
    como sempre a vida de artista nao é facil e requer muitas vezes um trabalho ao lado para se poder continuar a fazer o se gosta.

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  3. Como também há bandas que pedem muito mais do que os bares conseguem fazer de caixa, para mim só com porta é que o valor é justo. Se o musico tem de ganhar também quem tem um negocio aberto que também tem despesas não tem de andar a trabalhar só para pagar as bandas. O "juízo" tem que haver de ambas as partes para que se posam manter.

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    1. Mas ofereces a totalidade da porta às bandas??

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    2. Acho q também seria interessante o total de licenças pagas pelos bares, e sem falar que q maioria dos músicos não passa recibo, e há muitos q nem o sistema teem, tocam nos bqres q já investiram em som.... E isto não conta?

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    3. O Sr. Denzel Amaral está a querer dizer o quê mesmo?

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    4. Pouco explícito de facto

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    5. Quando chamam um canalizador também pagam à percentagem da porta?

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    6. Concordo em absoluto! E recibo? ahh, pois recibo não há...

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    7. Bafo de Baco: se quem tem o negócio aberto, tem despeza com os músicos e não tem condições de os pagar, não os chama, é simples.

      Denzel Amaral: claro que conta! Agora faz tu assim, trabalha meses a fio sem receber nada, só a ter despeza para montar repertório, e a perder horas de sono. Acho que receberes 30€ por uma noite inteira é mais do que bom, ao fim de tanto tempo de esforço e investimento, ora!

      Anónimo: E o recibo, claro, acho que é realmente uma vergonha os músicos não passarem recibo, quer dizer, 30€ dá-lhes para sobreviverem mais de um ano, e para alimentar algumas famílias também. São piores que os políticos estes músicos pah... GATUNOS!

      Luna.

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    8. Ainda bem que todos os músicos são apenas pessoas que chegam a um bar e sabem tocar instantaneamente. Não tendo estudado ou investido tempo e dinheiro numa arte...

      Manquem-se. Se é assim que gerem bares merecem que eles estejam vazios.

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    9. Recibo é só pedir, desde que respeite a tabela!

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    10. O Sr. Denzel Amaral faz um comentário tão incrivelmente idiota que custa acreditar que é músico. E se é mesmo músico então arriscaria dizer que o Sr. faz parte do "problema", ou então trabalha ao abrigo do oásis do PSD.
      O gerente do local onde o Sr. Amaral toca seguramente o adora!

      Cresça e apareça sim?

      Quanto ao Sr. Bafo de Baco, sofre da mesma doença que a maioria dos donos de estabelecimentos, que acham que estão a fazer um favor aos músicos ao dar-lhes um palco.
      Os músicos fornecem um serviço, tal como o electricista que o Sr. Baco contracta sempre que necessário. Se não pode pagar, use velas (no nosso caso Mp3 ou CD's).

      Acha que os valores pedidos na tabela acima são altos? Não fez referência aos mesmos na sua mensagem. E o tal valor da porta? É na totalidade? E funciona para bandas de originais e de "covers" (duvido muito) também?

      Seja específico por favor, estamos em pulgas para ler a opinião de um proprietário de uma casa noturna.

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  4. Todas as historias têm dois lados... Sem desvalorizar o valor dos músicos e o cache que deveriam receber por cada actuação, hoje em dia, devido à actual conjuntura económica, na minha opinião é completamente impossível um bar pagar os valores descritos nessa tabela e não ficar no prejuizo... Dando exemplos práticos: Se o bar cobrar à porta para pagar aos músicos, os clientes não entram porque se paga... Se é apenas consumo obrigatório os clientes entram e bebem um café ou uma cerveja e assim ocupam uma mesa até ao final da actuação pois já fizeram o seu consumo. Para não falar que sempre que um espaço quer por musica ao vivo têm de pagar uma licença especial para o efeito... Bem fazendo as contas, numa noite de semana principalmente, o bar teria ainda de por dinheiro para pagar as despesas com a licença, músicos, 23% para o iva, para além dos consumíveis, staff, luz, etc. É preciso de haver uma consciência de parte a parte da realidade do país actualmente, e se um musico vive das suas actuações, um espaço também vive dos consumos feitos pelos clientes que neste momento são baixos. Se calhar... se os músicos não fossem tão rigidos com os valores de actuação, apostassem em formações mais pequenas para conseguirem acompanhar o mercado que está quase falido, se calhar poderiam actuar muito mais vezes e chegando ao fim do mês o saldo podia ser mais positivo para todos! Se calhar... Vale o que vale... É a minha opinião...

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    1. Lei da reciprocidade!
      - Sou músico pagam-me mal e quando de folga saio à noite para ouvir música ao vivo, tomo só um café. Porque é que será?
      A economia tem de ser circular e não unidirecional!!

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    2. Caro anónimo que menciona que "devido à actual conjuntura económica"...

      Antes fosse. Eu recebo o mesmo "cachet" desde 2004 e assim, posso culpar Passos Coelho de muita coisa mas do assunto em questão não ;) .

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  5. Engraçado que tive uma banda em Portugal durante 15 anos. Se pergutarem quanto ganhei? Nao sei dizer pois 75% era para investimento a nivel de material. Neste momento estou no Canada e continuo a tocar numa banda aqui da comunidade. Mas o mais engraçado è que me pergutaram se eu tocava por musica ao qual eu respondi que tocava neste momento por dinheiro. Isto realmente é de loucos. À que valorizar os musicos porque ser musico não é pra todos...

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    1. ola´Filipe , meu nome é Eduardo ,,, como é viver de musica no canada ???

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  6. Não é fácil atingir o consenso no valor a cobrar uma vez que , assim como no futebol existe o prof. Regional e até amador...com os músicos se passa o mesmo....Quem contrata é que tem que deixar de querer se aproveitar e o contratado não se pode deixar enganar sempre e não actuar sempre com cachê de amador

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    1. O problema é que a maioria destes espaços quer ter musica ao vivo, mas nao quer saber da qualidade. Ou seja, o pessoal que aprendeu a tocar reco reco e flauta de plastico na escola e que agr anda aí a dar AEC's aos putos nas primárias chega os bares e diz: eu venho ca fazer musica por 15 euros. Depois vem um musico a serio, muitas vezes com formação superior ou equivalente, apresentar o seu projecto e o que lhe dizem é "ou toca por 15 euros ou nao toca, que eu tenho quem ca venha fazer "musica" por esse preço". ou melhor ainda ... "venha ca divulgar o espectaculo, nos damos umas bebidas e depois pode ser que se marque mais um e esse ja pagamos", que ja se ouve cada vez mais.

      O problema de raiz esta na falta de cultura do país. Quem tem os espaços apresenta más coisas ou paga mal aos que sabem, que acabam por só la ir dessa vez. E o que se começa a ouvir por aí em bares é pessoal que faz outra coisa durante o dia o depois a noite tem uma banda porque é giro.
      E os músicos a serio morrem a fome.

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  7. Não é fácil atingir o consenso no valor a cobrar uma vez que , assim como no futebol existe o prof. Regional e até amador...com os músicos se passa o mesmo....Quem contrata é que tem que deixar de querer se aproveitar e o contratado não se pode deixar enganar sempre e não actuar sempre com cachê de amador

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  8. Não é fácil atingir o consenso no valor a cobrar uma vez que , assim como no futebol existe o prof. Regional e até amador...com os músicos se passa o mesmo....Quem contrata é que tem que deixar de querer se aproveitar e o contratado não se pode deixar enganar sempre e não actuar sempre com cachê de amador

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  9. Há que ter em conta aquilo que para mim está na base de toda esta discussão.
    Há músicos e aqueles que fingem ser músicos.
    Se apenas aqueles que são músicos (entenda-se por musico alguém que pelo menos tenha algum talento para praticar e fazer ouvir a sua musica, independentemente do estilo) estivessem no mercado bem que tudo seria diferente pois esta honestidade serviria a todos de uma forma bem mais justa.
    Com certeza que ninguém gostará de pagar á porta de um bar que publicita uma noite com música “ao vivo”, para ouvir um cromo qualquer que canta uma melodia “maior” em cima de uma harmonia “menor” sem sequer perceber na porcaria que está a fazer e ainda se ri com ar convencido de grande artista.
    Pelo menos tenham a honestidade de não se fazerem anunciar como músicos.
    Alguém acreditaria no trabalho de um arquitecto cego???
    Havendo a garantia de que apenas músicos teriam a coragem de se fazer ouvir em espaços públicos, estes ganhariam com o facto de não estarem sujeitos a uma espécie de concorrência desleal, e assim os seus cachets seriam com certeza a justa compensação do seu valor e talento.

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    1. O problema é que a maioria destes espaços quer ter musica ao vivo, mas nao quer saber da qualidade. Ou seja, o pessoal que aprendeu a tocar reco reco e flauta de plastico na escola e que agr anda aí a dar AEC's aos putos nas primárias chega os bares e diz: eu venho ca fazer musica por 15 euros. Depois vem um musico a serio, muitas vezes com formação superior ou equivalente, apresentar o seu projecto e o que lhe dizem é "ou toca por 15 euros ou nao toca, que eu tenho quem ca venha fazer "musica" por esse preço". ou melhor ainda ... "venha ca divulgar o espectaculo, nos damos umas bebidas e depois pode ser que se marque mais um e esse ja pagamos", que ja se ouve cada vez mais.

      O problema de raiz esta na falta de cultura do país. Quem tem os espaços apresenta más coisas ou paga mal aos que sabem, que acabam por só la ir dessa vez. E o que se começa a ouvir por aí em bares é pessoal que faz outra coisa durante o dia o depois a noite tem uma banda porque é giro.
      E os músicos a serio morrem a fome.

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  10. Fácil, barato de dá milhões.... HONESTIDADE! Sabem o que é? Tudo se conjuga, bastando haver honestidade em ambas as partes.
    Um músico não pode baixar a calças para trabalhar e uma casa não tem que ceder aos músicos. Chama-se equilibrio. Mas com tanta desonestidade é impossivel ambas as partes estarem felizes. Uma chamada para os empresarios pois eles são os grandes responsáveis pelos contrato pseudo musicos, pois o barato sai caro, e claro todos tem que passar recibo. Assim ficam habilitados a um carro mensal ehehehe

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  11. Boa tarde a todos!
    Penso que um dos maiores problemas é que não existe união entre os músicos (os "verdadeiros" entenda-se), os que investiram uma vida para merecerem ser apelidados de Músicos.
    É uma pena saber que à partida não vai afectar em nada se os músicos fizessem greve, pois há os "amadores", músicos nas horas vagas, fazem da música um escape e trabalham no banco ou outra coisa qualquer para ganhar a vida... mas ganham cachet mínimo para tocar, e por vezes até tocam de borla... Esse cachet mínimo acaba por ser a referência dos que contratam pois se podem pagar menos ou... nada, não se vão preocupar com a qualidade ou não do músico e da música, o que interessa é ter animação!
    É pena que um músico não pode trabalhar no banco ou qualquer coisa do género nas horas vagas, servindo-se disso um escape, um hobby, e claro ganhar um cachet mínimo ou mesmo trabalhar de borla e assim põe em risco o emprego ou trabalho dos verdadeiros profissionais da área.

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  12. Boa noite, confesso que tb adorava ir ao Hospital ao Domingo fazer uma ou duas operações após ver meia dúzia de vídeos no Youtube e ser médico por hobby, claro que é preciso estudar muito e ser devidamente qualificado para o efeito. Já na música compras um instrumento á sexta e dás um "concerto" ao Sábado, como por artes mágicas és músico, não admira que os bares paguem pouco, anda por aí muito embuste... Um abraço a todos

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  13. Este assunto dá pano para magas e para fatos completos.
    Enquanto andarem uns a pagar impostos para trabalhar e outros nem sabem o que isso é , não há tabela que os valha.
    Haviam de fazer cá o que fizeram em Espanha há bem pouco tempo : Todos os interessados em viver da música (fossem instrumentistas ou vocalistas) deviam prestar provas da sua qualidade e provar estarem capacitados para representar a atividade artistica com dignidade e honrando toda a classe. Devia haver fiscalização rigorosa para que não acontecesse o que está à vista : qualquer badameco diz que é artista e qualquer empresário o que quer é explorar esses finórios que destabilizam o funcionamento normal de uma atividade. Juntamente com eles exploram também a ignorância das comissões organizadoras de eventos.
    É o salve-se quem puder ! E assim todos os que gostariam de trabalhar em conformidade com as leis da ética e tributária , acabam por ser empurrados para o desemprego e para situações indignas.

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  14. A culpa é dos músicos que sujeitam se a tocar de borla (TV) ou por uma tuta e meia, e da inércia do sindicato dos músicos. Uma falta de profissionalismo, respeito para a profissão e solidariedade com os colegas. Ao aplicar esta tabela ninhum local designado aqui tinha mais músico disponivel. Isso é igualmente verdade para qualquer posto de trabalho hoje em dia no nosso país, pagos com salarios precários para manter as margens ou encher os bolsos dos patrões ... Precariedade, desemprego, nós por cá a caminho do 1/3 mundo a ver os outros países a crescer e nós a pagar dívidas dos grandes...

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  15. Me amarrota que tô passada! Menina a situação é grave! Isso é uma humilhação! Não sei como funciona aqui no Brasil, mas desconfio que não deve ser diferente de Portugal. Fiquei pasma com isso. É muito pouco pra alguém que se mata de estudar!

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  16. Daquilo que li, a maioria tem razão. No entanto e para quem não é músico ou não está a par das enormes dificuldades que passamos no dia-a-dia, reflitam sobre isto: um Músico (com letra maiúscula) é aquele que, na esmagadora maioria dos casos, estudou Música toda uma vida. Além do mencionado no texto acima, com o qual nos identificamos completamente, imaginem não só a miséria dos cachets pagos, como a preferência por quem não sabe o que é uma nota musical. Sucede nos Bares, Restaurantes e até mesmo na TV. Qual seria a vossa motivação se, todos os dias, se confrontassem com esta realidade? Deixar de estudar e começar a tocar "pimbas"? Um abraço ao autor do texto.

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  17. Compreendo muito do que li aqui, apesar de não concordar com algumas situações.

    Na minha inútil opinião, o problema é muito mais profundo do que músicos vs. bares/eventos. Prende-se com a queda do valor da música. Hoje em dia, muito poucos compram música, porque lhe foi retirado o valor. Não estou a falar de qualidade, estou a falar de €€€ mesmo! E ir a um bar por causa de música é comprar música, assim como contratar uma banda é comprar música. Vários factores que contribuiram para isto:
    - A partir da altura em que és bombardeado com música a toda a hora, a todo o instante, ela está a ser-te oferecida. Para quem não tem nenhuma noção (até acham que é fácil ou "música de computador") provavelmente acham que devia ser de borla - o que desmonstra o valor que atribuem à música!.
    - Na verdade, durante anos quem pagou foram os anunciantes que encheram os cofres da MTV, rádios e outros, mas pelo menos o dinheiro circulava.
    - Depois, veio o MP3, que retirou muito do peso da distribuição (lícita e ilícita) de música na internet, facilitando a sua entrega quase imediata, e cada vez mais confortável.
    - A própria largura de banda da internet, que permitiu massificar a pirataria.
    - Novas tecnologias que permitem a não-músicos iniciar-se no mundo da música. Não é, só por si, algo errado, mas gera muito mais quantidade de música com qualidade francamente inferior no mercado. Assim, a qualidade média dilui-se com o tempo. Novamente, criando uma percepção de menor valor.

    Sem falar de mais nada (e há muito para dizer), a geração MTV e posteriores acaba por atribuir muito menos valor à música (e ao consumo de música) do que as gerações anteriores antes, em grande parte devido à sua excessiva disponibilidade.

    Ficámos habituados a que a música seja uma comodidade (tal como a eletricidade - alguém tem de pagar, mas não se sente o real valor quando o usamos).

    Claro que estou a generalizar, e aqueles há nesta geração que atribuem à música um enorme valor, de tal forma que se entregam de alma e coração (sim, porque para ser-se músico é preciso ser emocional e corajoso).

    Mas todo o problema de músicos vs. bares provêm daí. Os consumidores acham que devem pagar pouco (e já por si são poupadinhos). Os bares fazem pouco dinheiro, e tem que renegociar. Infelizmente para os músicos, resentem-se do seu real valor nos cachets que recebem, e os que não o fazem são aqueles que tocam por muito pouco (por achar que têm pouco valor, ou pura inconsequência).

    Apenas os meus 2 cêntimos. Ah, e também sou músico. :)

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  18. Bruno Mateus, foi o melhor comentário que li. Devemos investir na educação do público. É essa a solução. Vi em Sevilha um novo método de pagamento, chama-se Pay After Show. Deixo aqui o link. http://elclubexpress.com/blog/2013/07/05/arranca-pay-after-show-una-nueva-herramienta-para-la-cultura/

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  19. Fugindo um pouco a questao acima discutida quero apenas referir que a maioria das gerencias de bares de diversao nocturna nao tem a preocupacao da qualidade musical e qualquer gajo com musica gravada ( playback ou com um orgao magico com midifiles ) substitui um musico que trabalhou anos a fio .

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  20. Lendo aqui alguns comentários, alguns na diagonal, mas outros bema direito,apraz-me dizer o seguinte:

    Fui músico de bares durante bastante tempo... Naquela altura, quer os espaços, quer os clientes valorizavam o trabalho do músico! E todos saiam a ganhar... Os músicos - que ganhavam bem, os bares - que tinham a casa cheia, e os clientes - que se divirtiam... Estou a falar nos anos 80 até ao final dos anos 90... Depois, por uma questão puramente de lucro, os bares começaram a contratar pelo valor mínimo... apareceram alguns brasileiros (sem qualquer dose xenófoba) que com uma guitarra debaixo do braço e a troco de uma sandes de torresmos e uns trocos, iam tocar! Aisto juntou-se o fenómeno Karaoke. E as referências dos grandes musicos de bares, desapareceram, pois o mercado corrompeu-se... Eu próprio me afastei e comecei a procurar outros mercados, como maior parte dos meus colegas.

    Dizem que agora não podem pagar esses valores a um músico??? Então passem CD's! O que é certo é que não perco uma noite, a trabalhar 4 a 5 horas (isso engloba carregar e montar material e deslocação) para ganhar 50 euros... Nem tão pouco me dá para me manter actualizado, ensaiar, e ter uma estabilidade... Quando falam em recibos, sempre os passei e continuo a passar! Não tenho é a culpa que tenham rebentado com o negócio!!!

    Eu virei-me para outros mercados! Outros talvez deveriam fazer o mesmo!

    Não estou a querer alimentar polémicas, mas cada vez que saio de casa, carrego com cerca de 7000 euros de material, pois até som próprio eu tenho e abdico daquele que me "oferecem"...

    Penso que disse tudo o que me vai na alma

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  21. A minha realidade: sou amador, mas tenho vários anos de estudo de música (em escola e de forma autodidata), tenho algum dinheiro investido em material, muitas horas roubadas à família (em casa e nas salas de ensaio) e adoro tocar, enfim, adoro a musica. O dilema: após um verão com muitos concertos, convenci a minha banda (5 elementos "amadores" mas com muitas horas de estudo e dedicação + téc. som) a não tocar por menos de €300 em bares(que fortuna...), de forma a não nos desvalorizar e a não "lixar" ninguém. Resultado: quase 4 meses sem tocar. Era ver bares a adiar concertos, pedir valores mais baixos, ou a dizer que voltavam a contactar e vermos outras bandas no "nosso" lugar... O que fazer? Reconhecemos que o mercado está complicado, e aceitamos cachets mais baixos, muitas vezes metade do pedido inicialmente, mas assegurando uma série de espetáculos no local... é assim que estamos. Para os profissionais, não imagino como consigam sobreviver... só mesmo à base de pimba e música de hotel...

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  22. Pois...Os musicos estao a ser cada vez mais mal pagos. O Sistema esta "minado" Sou musico ha 20 anos e vejo me numa situacao identica. Depois de dedicar grande parte da minha vida ha musica. Pois sou apaixonado por esta arte. Dizem que a vida esta p os espertos e concordo plenamente, com este facto.Ir a um bar e ter a casa cheia, chegar ao fim da noite e o dono do bar ter me dito"voces deram um concerto para ganhar 300€ cada um, pena que so posso pagar 30€ " , "Ora sr *** nao me venha com palavrinhas sonsas, gostou do concerto ou tem este discurso para todas as bandas que aqui tocam? Para se mostrar intendido no meio musical?"
    Para finalizar, volto a dizer que a vida e p os espertos, pque nos dias de hoje toco em eventos, sou bem recebido e o cache e mais do meu agrado...

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  23. Infelizmente, há pessoal que se vê obrigado a aceitar apenas o jantar, uns copos e um maço de tabaco, por noite de atuação, em muitos bares.

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  24. Eu sou músico e tenho um estabelecimento e a minha perspectiva é esta:
    Quando um estabelecimento pequeno (Bar, restaurante, etc) contrata músicos, não pode pensar que o objetivo é ter uma receita naquelas 2h de atuação que justifique a contratação do músico. A música ao vivo neste tipo de situações serve para dinamizar a casa e estimar os clientes, sendo que o retorno desse evento se irá refletir ao longo do tempo. Eu no meu estabelecimento (restaurante) sei que não posso sempre ter música ao vivo (a não ser que explore os músicos, coisa que sendo eu próprio músico nunca farei), mas nalgumas datas específicas organizo uma noite de músico ao vivo, precisamente para dar algo especial aos meus clientes.

    Num auditório, café concerto, etc, o sistema é diferente, as pessoas vão especialmente para ver o artista em questão e por conseguinte o valor do músico (ou banda) vai depender não apenas da sua qualidade musical mas também do seu poder (fama) para juntar uma audiência, na qual existe uma bilheteira que vai dar o retorno à casa.

    Do meu ponto de vista o músico profissional deveria sempre ser pago com um valor mínimo digno (como por exemplo o descrito na tabela) pelo seu serviço, e ver o seu valor incrementado proporcionalmente à quantidade de pessoas que consegue movimentar (fama). Eu se vou a uma consulta médica de um médico novato não espero que ele me atenda de graça, sei que ele investiu muito tempo para se prepaparar para a sua profissão, mas também sei que se for a um médico conceituado vou pagar muito mais. Tal como na maioria das profissões, estas são mais bem pagas (porque há uma procura maior) quanto mais conceituado é o profissional, e o mesmo acontece na música, porém na música acontece algo que não acontece nas restantes... ao músico, mesmo quando este é competente no que faz, as pessoas não sentem vergonha em lhe propor para tocar de graça ou pagar uma ninharia pelo seu serviço. Pensam, ahhh música é um hobby e por isso o músico gosta de tocar mesmo que seja de graça... ora muito bem, eu também tenho como hobbies cozinhar, fazer biscates de eletricista e carpintaria, e claro que não espero que me paguem por isso (e se calhar as pessoas até pagariam mais rápido), mas atenção, não confundam as coisas, para se ser músico profissional podem ter certeza que não se chega lá apenas como sendo um hobby, há tanto ou mais trabalho do que qualquer outra profissão para se atingir a competência necessária e por isso logicamente tem que ser compensada. Para aqueles que não acreditam no que digo, tentem então começar a aprender um instrumento (ou continuem a aprender) e depois digam-me quanto tempo demora para chegar ao nível dos artistas ou dos espetáculos músicais que vocês gostam e vos dão prazer.

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    1. Olá André
      Aprecio o teu equilibrado comentário. Talvez porque podes perspectivar de ambos os lados. Também é necessária uma boa dose de bom senso para oferecer uma opinião honesta.
      Apresento-me como Frederico D'Almeida e estou integrado num projecto de música acústica com o nome de Dente de Leão. Temos um trabalho consolidado durante cerca de um ano, com originais cantados em português e castelhano, que tem sido bem acolhido pelo público nos palcos onde já actuamos, o último dos quais no Teatro Sá de Miranda em Viana do Castelo no dia 25 de Abril. Amanhã encerramos um ciclo de FNAC no Norte Shopping, Matosinhos, pelas 17:00 horas. Como tens um restaurante onde é possível efectuar uma perfomance, permite-me questionar se poderás estar interessado em conhecer-nos e permitir uma actuação do Dente de Leão no teu espaço.
      Fica aqui o meu contacto:
      Frederico
      fredericodalmeida@gmail.com

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  25. Sou músico profissional já lá vão vários anos. Só posso dizer uma coisa: continuo a tocar em bares sem problema. Só não toco pelo preço que querem.. Prefiro ficar em casa a estudar a minha guitarra. O que estão a pagar por músico até é uma ofensa para quem realmente vive disto.. Mas a culpa também é dos próprios músicos que se vendem e dizem que isto está mau… Uma coisa eu tenho certo: Em 2000 eu recebia uma media de 15.000$ ( 75eur) por concerto em bares ou Hoteis e pagava entre 80$ a 100$ por uma cerveja( 50centimos) e 250$( 125centimos ) por uma bebida branca. Agora quanto se paga por uma bebida? Isso mesmo : Agora querem pagar ainda menos que á 15 anos atrás ao músico?. Podemos todos ganhar, só tenho pena por alguns querem ganhar tudo … Se não podem ter música não chamem músicos. trabalhar de borla é que não..

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  26. Olá a todos! Espanta-me todos os comentários sendo eles todos válidos no ponto de vista pessoal, valem o que valem, são opiniões! A minha história tem 22 anos de estudo que ainda continuam para que tudo corra bem na hora de apresentar ao público. Em média são 4h por dia 8 dias por semana, 365 dias por ano. Mais do que dinheiro e amor pela arte há o respeito pelo público e se não estamos preparados para subir a palco mais vale ficar em casa e ver a novela pois quem paga merece. Eu também gostava que um bar ou um restaurante viesse cá a casa mostrar o trabalho, tipo promoção ao espaço mas seria uma ofensa pedir ao chefe "Justino" para vir cá a casa servir-me o jantar, trazer a carne, a sopa, os legumes e os pratos e os garfos (nós músicos andamos sempre com o instrumento). Não se trata do cachet ser alto ou baixo, grande ou pequeno com muitas ou poucas horas de concerto, trata-se de MÚSICA uma arte de exprimir sentimentos e sensações através de sons, não é para todos. Pois, se considerar que músico é a aquele que se exprime através de sons (instrumentais ou vocais) todos os outros não são músicos, nem amadores são habilidosos que se atrevem a tentar entender uma arte sem saber o sacrifício que isso implica. Lamentavelmente em Portugal vivemos a era do imediato, tudo à distancia de um clic, um computador, um tablet ou um iPhone são suficientes para uma criação musical, uma batida, três acordes, uma letra com alguns palavrões ou sentidos invertidos e nem importa se canta bem, o computador trata de lhe afinar a voz. Os programas de TV são todos playback, que interessa se canta ou não as "moças" estão tão giras de mini saia que importa o resto. O musico vive da música como um médico vive dos pacientes e um cozinheiro dos que comem a sua comida, tem de ser remunerado como tal e quem se presta a este tipo de situações não é musico pois se o fosse, iria recusar ser ofendido por ignorantes. Como músico entristesse-me que a nossa classe seja tão destratada mas um valor maior se levanta, somos músicos com um amor incondicional a uma arte suprema, MÚSICA.

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  27. Isto não se trata de um problema dos músicos ou dos donos dos estabelecimentos. É um problema de cultura da nova geração. 80% das pessoas (essencialmente os mais jovens) estão dispostos a pagar 10 euros só para entrar numa discoteca e ouvir um tipo qualquer a pôr cds. Mas se lhes pedem 2 euros para entrar num bar com música ao vivo, já não têm dinheiro (é a crise!). Esta praga dos djs "mete cassetes", da música eletrónica e dos que se fazem passar por músicos estão a devastar completamente a música. Mas o problema não são eles, mas sim quem potencia o seu crescimento. É de extrema importância que os verdadeiros músicos continuem o seu trabalho e procurem levar a boa música às gerações mais novas e não esperar que estas procurem a música (porque não me parece que vá acontecer). A rádio, por exemplo deveria ter um papel ativo na divulgação de música, vários tipos de música, e deixar de passar a mesma coisa 3428 vezes por dia. O mesmo se aplica à televisão. É impressionante que algumas "bandas" sejam capazes de fazer playback descarado na televisão e isto seja permitido sem qualquer tipo de punição. Isso é crime!!! A música está associada à diversão mas é importante notar que ela tem um grande impacto na mentalidade e no comportamento social. E não vem nada de bom desta nova geração "eletronica" (de um modo geral). A música pode literalmente salvar as gerações vindouras, mas é importante que os bons músicos continuem o bom trabalho e procurem novas maneiras de chegar ao público. Concertos e eventos bem organizados e divulgados chamam sempre muita gente. Há que fazer perceber que 1 bom evento musical/concerto vale mais do que 1000 djs a meter cds.

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  28. Sei que entretanto já passaram dois anos desde o último comentário mas apetecia-me tanto desabafar acerca de todos estes assuntos!!!

    Concordo plenamente que os artistas em Portugal (músicos e não só)são mal remunerados e muito provavelmente na maioria das vezes os seus direitos (de autor e conexos) apesar de estarem a ser cobrados por instituições em prol destes artistas muitas vezes essas taxas ficam nos cofres das ditas instituições para as "despesas" que essas instituições têm no cumprimento das suas funções de que são exemplo as cobranças das taxas, as fiscalizações, os tratamentos de dados, as organizações administrativas, as coimas por incumprimento, o apoio jurídico aos artistas (que honestamente não sei se existe ou funciona, mas esperemos que sim!)e talvez, eventualmente, com alguma sorte, penso eu o pagamento aos autores e artistas pelas eventuais taxas cobradas em seu nome por direitos conexos ou de autor...

    Neste momento em Portugal, segundo o que me foi informado esta semana, qualquer espaço aberto ao público quer seja café, bar ou restaurante, ou elevador ou linha telefónica :) se tiver música ambiente terá de pagar licença de música ambiente à Sociedade Portuguesa de Autores e também licença de música ambiente à PassMúsica (estranho estar a pagar a duas entidades a mesma coisa... mas ambas afirmam que são ambas obrigatórias... e se por ventura achar que é bom para o negócio fazer música ao vivo terá que pagar à sociedade Portuguesa de Autores uma taxa por sessão, o proprietário terá que fazer o registo de promotor de espectáculos artisticos e pagar a devida taxa e informar o IGAC por cada espectáculo e pagar a devida taxa... Amanhã vou ter música ao vivo no meu café :) adoramos música!!! queremos artistas a mostrar o que valem e a dar cultura aos locais, e a nós :) e desde ontem, só por curiosidade informativa, a despesa para este acontecimento foi de 203,00€ (neste valor estão contabilizados os direitos de autor para música ao vivo, a licença de ruído camarária, a licença de representação de espectáculo artístico e a taxa de registo de promotor de espectáculo) espero que não me falte nenhuma licença!!! LOL provavelmente ainda falta alguma coisinha... amanhã a despesa vai continuar, é claro, mas essa pago de bom grado: cachet(bastante superior a 30€ porque por cá somos coerentes)+ viagem (estamos numa ilha:)+ estadia (pois o pequeno não é de cá e não vai ficar a dormir na rua!)+ alimentação (porque aqui gostamos de receber como deve de ser) + as ditas cervejinhas de que falavam à pouco (ou qualquer outra bebida mais apreciada pelo artista)+ água à descrição + o ajudante extra (para o caso de com sorte termos uma enchente...espero que sim senão vamos para o buraco!!!) tcharam!!! Obrigada a todos por me ouvirem, estava mesmo a precisar de desabafar:) foram uns queridos!!! ah! esqueci-me de dizer que somos no total 15000 habitantes (cercados de mar por todos os lados:) e que apenas um terço da população tem idade/vontade de sair à noite!!! e claro que não cobramos entrada nem temos consumo mínimo! era o que mais faltava! è à borla pessoal venham todos!!! (e mesmo assim às vezes o caixa do dia não dá para pagar ao(s) artista(s) UPS!!!

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  29. Músicos em Portugal ? A maioria do pessoal não sabe ler uma pauta, não sabe fazer transposição, não conhece a teoria musical. Alguns são leitores de midifiles, outros são papagaios (cover), outros dizem que vão tocar e são DJ.
    Músico em Portugal ? Canalizador, carpinteiro, mecânico durante a semana, palhaço ao fds, toca de borla na TV, uma tuta e meia nas festas, sem contrato, sem fatura, sem direitos de autor, sem seguro.
    Músico em Portugal ? Uma falta de fiscalização e profissionalismo. Como o resto do país safa-se quem puder ...
    Músico reformado por anticipação por causa dos cachets praticados e que a putaria aceita prostituir-se com instrumentos e PA que vão levar uma vida a pagar ...

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