Ainda olha para algo como se fosse uma criança?

14.1.14

Isto de dar atenção plena ao que fazemos no momento tem transformado a relação que tenho com as minhas experências. Pois é um facto que com o tempo adquirimos a mentalidade de já sabermos como tudo funciona [ou de acharmos que sabemos como tudo funciona].

Curioso como estes dias eu li que viver com a afirmação "eu sei" é uma grande desvantagem que nos mantém longe do presente e faz-nos viver no passado. Essa afirmação limita-nos de algo novo, das surpresas, ideias, descobertas. Ela não nos permite desbloquear e compreender qualquer um dos mistérios do momento presente, o que nos mantém congelados nos julgamentos do passado.

Olhar para algo como uma criança permite abrir a mente a algo novo. Não precisamos deixar de acreditar no que acreditamos. Porém colocar de lado os nossos conhecimentos e preconceitos por um momento permite-nos vivenciar experiências sem tantas expectativas ou crenças pré-formuladas. Algo super comum torna-se assim novo, curioso ou imprevisível.

Durante muitos anos eu fiz café em casa. Enquanto o fazia, costumava correr na minha cabeça um filme qualquer da minha vida ao mesmo tempo que estaria determinado como o meu café iria ficar. Afinal é o meu café! Eu já sei a que sabe, como fica, qual a cor, textura, gosto... Mas ontem estava fazendo café quase falando com ele, me interrogando se o açúcar ficaria no ponto, qual a quantidade certa de água, se ficaria o mais cremoso possível. Cada segundo da realização daquele café era uma curiosidade sobre o seu resultado final: parecia a primeira vez que eu fazia um café [e seria a primeira vez que conversava com ele].

Esta disposição para olhar o mundo como se fosse a primeira vez faz-nos sentir abertos ao que ainda temos para aprender e vivenciar.



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2 comments

  1. Sim... isso é o que ouvi uma vez da minha psicoterapeuta, ela falava sobre a possibilidade de mudar, de ver as coisas, de vivenciar experiências do dia-a-dia de outra forma, com novo olhar. Ela dizia que é bom e sinal de crescimento quando quebramos "padrões cristalizados", sabe? Eu imagino como um cubo de gelo ou uma caixa de vidro, que aos poucos vamos quebrando, não tem lugar para o "eu sei"... adorei... :0)

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  2. O pensamento no seu post fez-me logo lembrar uma citação do Albert Einstein que gosto muito:

    "There are only two ways to live your life. One is as though nothing is a miracle. The other is as though everything is a miracle.”

    E concordo plenamente quando diz que o "eu sei" é ligado ao passado e não nos permite viver totalmente no "agora". É como se essa perspectiva bloqueasse o nosso foco nas imensas possibilidades daquilo que é, ou poderá ser.
    Eu costumo dizer que sou uma criança crescida pois não quero deixar desvanecer essa parte de mim que vê as coisas com alegre deslumbramento e curiosidade.
    Desde que entrei neste processo de viver mais no agora notei que olho mais para o mundo em geral, e para as pequenas/grandes coisas, ainda com maior "dose" de "amazment". E isso faz tanta diferença!
    Eu ainda não falei com o meu café, acho, mas já falei com a comida :D
    O diálogo interno é tão importante...
    Abraço, Mizé

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