A árvore das amizades

12.7.15

Texto e fotografia pelo músico e produtor Giovani Goulart:


Exatamente de onde eu vejo parece-me o ângulo certo, a cor exata, a confortável posição e ainda do mesmo ângulo um encantamento frente à manifestação natural da vida, coabitando com prédios, semáforos, estradas, shoppings, lojas e pedestres. Mas na minha óptica, tudo está no lugar certo.
Isso me traz ao pensamento algumas questões pertinentes.

Se eu comparar o meu modo de ver,  o meu modo de sentir, o meu modo de observar com o modo de outra pessoa a ver exatamente as mesmas coisas, será que posso esperar que essa pessoa tenha as mesmas sensações que eu? A intensidade da cor que eu vejo, aos olhos de outra pessoa, será a mesma? O encantamento que eu tenho com uma simples folha de árvore, deslumbrará a mais alguém? Será que alguém um dia percebeu nessa árvore com milhares de folhas justamente a folha que eu olhei?


Relaciono isto com cultura, percepção, sensibilidade, compatibilidade e com o complexo (nunca igual) comportamento humano frente às mesmas situações.

O parque é belo. Mas será belo para mim e belo também para todo o mundo?
Ficar deitado na grama com uma temperatura agradável, olhando para o céu e tendo como interveniente enormes galhos de árvores que ostentam uma beleza vegetal encantadora, é algo que não faço muitas vezes, mas que admito: seria bom se o fizesse mais vezes!

Hoje, por exemplo, fotografei abelhas, flores, folhas novas e secas, pedras, sementes e areia. Certamente milhares dessas fotos não passarão de um prazer que tive ao escolher os objetos, as cores, a luz, a sombra e todo o cenário de como, na minha opinião, ficaria muito bem ser fotografado.

A fotografia é como um lembrete para a nossa memória, com descritivo, com referencial. Uma boa explicação para apresentarmos a quem não esteve naquele momento e naquele lugar. Mas, logicamente, a fotografia não traz em si o efeito do momento pois exige do fotógrafo e do equipamento uma capacidade gigantesca de conhecimento e manuseio, para conseguir registar um pequeno percentual da singularidade incomensurável da vida.

Eu quero que as minhas fotos foquem como as fotos do grandes fotógrafos, mas não pretendo ser fotógrafo de profissão. Já fotografei o mar, as flores, e lastimo não ter conseguido em todas as fotos passar o efeito que o momento teve em mim, pois ao rever todas as imagens no computador deparo-me com a minha limitação no campo fotográfico. Mas nem tudo está perdido, pois ainda tenho fotos que serviriam perfeitamente para integrarem um grupo de outras tantas numa galeria de arte. E como as consegui? Somente com boa vontade, bom equipamento e teimosia. Traduzido para a minha linguagem, chama-se persistência.

Sou exigente com as fotos como com as amizades e as relações. E mantenho o rigor mesmo a nível particular, exigindo sempre de mim o melhor que eu posso dar em tudo que eu me proponho.

Vou deixar aqui hoje duas ou três fotos em homenagem a todas as pessoas que conheci nesses vários países por onde passei, afirmando que trago-as no coração de uma forma similar à da folha da árvore que, embora silenciosa, está sempre presente exalando vida, energia, beleza e mantendo a sua importância para mim e para o mundo. Façam das vossas amizades as folhas da vossa árvore pois se daqui a alguns anos esta árvore tiver muitas folhas, será sinal que vocês cuidaram tanto das amizades quanto de vocês mesmos.

E não esqueçam, cada pessoa é uma folha na árvore da vida. Selecionem apenas as melhores folhas para cultivarem as melhores amizades.  Saiam já de casa a abraçar a cada pessoa que vocês gostam com o mesmo carinho que cuidam das folhas das vossas árvores.


Garanto que a minha árvore já tem bastantes folhas. Curiosamente hoje eu já abracei a minha!

Um bem haja!



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