E eis que de repente olhamos p'ra nós mesmos...

27.7.15

texto: Giovani Goulart

Um universo
para além daquilo que os olhos conseguem enxergar,
segredos e medos, acertos e erros, vaidade,
dor e tormento e ainda tantos outros
maus momentos que temos por consertar...

Mas não aprendemos o rigor da verdade
quando na realidade o assunto é nós mesmos
e submergimos calados levando connosco sigilos guardados
que não convém revelar
e que nossa vaidade não veste pois,
para a atual sociedade, basta aparentar

O espelho não fala mas nos diz muitas coisas,
açoite ou saudade morando no peito
nossa culpa ou defeito já é costume calar
por traz da gravata ou do carro do ano
o mal - feitor ostenta o engano mas
para a atual sociedade, basta aparentar

O cargo como se fosse reputação
os bens viraram cultura
ganância na base da estrutura
onde a corrupção foi morar
bem vestido tem perdão
até parece ter mais razão pois
para a atual sociedade, basta aparentar

Juízes comprados, julgam pensando que não vamos notar
os princípios afogados no valor do dinheiro
e que eu seja o primeiro
a despir estes tais costumes
de falsas canduras, a podre moral
pois prejudicam família, amigos e tudo
quando o retorno é o vil metal

Até os amores estão banalizados
e há casais que se mostram muito apaixonados
para as capas de um semanal
mas todos nós já sabemos
que em um ano ou bem menos
essa mentira se acaba na coorte de um tribunal

Igrejas enganam fiéis, exploram em nome de Deus
quem governa um país, esconde os pecados seus
militares, anarquistas, pacifistas,
todos guardando segredos
e se esfolam medindo força
enquanto o respeito e a dignidade
escorrem por entre os dedos

Não esqueça que a roupa mais cara
nenhum valor te acrescenta
e muito se engana quem pensa
que é vantagem enganar

Mas chega de estar ao espelho
melhor estaria de joelhos
pedindo perdão a rezar
e mesmo levando porrada
toda a pessoa enganada
insiste ainda em votar
e esquece que hoje em dia
mantém a panela vazia
quem em promessas apostar

Adeus meu eu refletido
muito me fazes pensar
e isso me tira do sério
pois ainda persiste o mistério
coisa sem explicação
de um povo sentir-se inferior
já ser hábito de uma nação

Respeitar a quem não tenha valor,
a quem não tenha cultura,
a quem só tenha dinheiro
e que um dia, por ventura
viu em olhos inocentes
uma forma de se afirmar
e contagiou a humanidade
com essa doença e maldade
de que para ter valor
em nossa sociedade
basta APARENTAR.



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1 comments

  1. Fátima, quero agradecer do fundo do coração o comentário que você deixou no meu blog. Vindo de você, uma blogueira que tanto gosto, foi um carinho muito bom. Costumo dizer que escrevo em um blog "pra mim mesma", e isso não deixa de ser verdade, mas palavras como as que você me deixou fazem tudo valer a pena em dobro!

    E se como não bastasse, quando venho lhe agradecer aqui, encontro um texto tão lindo.
    Abraços!

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