Buscar e levar malas e amigos

14.8.15

Texto: Giovani Goulart

Muitas vezes, para nossa sorte, encontramos colegas e amigos, e é sempre bom o aperto de mão, o abraço ou o sorriso. Não tantas vezes recebemos pessoas mais próximas e ainda, em um número menos expressivo, recebemos quem nos enche o coração. No meu caso em particular este facto dá-se sempre na porta de desembarque e embarque de um aeroporto.


Tenho parentes em outros países. Posso privar com todos vocês que dentre todas estas ansiedades e todos estes momentos maravilhosamente mágicos está o facto de esperar por minha mãe. O aeroporto está lindo. Me encanta a arquitetura, a decoração, a iluminação e o recurso de toda a tecnologia ali investida. Me encantam os abraços e os sorrisos de orelha a orelha, Me encantam as expressões faciais enquanto o relógio tarda em passar o minutos para que a minha mãe chegue.
O coração nem sempre descreve com precisão, a intensidade e a quantidade de sentimentos em simultâneo que é a espera de um abraço de alguém que amamos e vive realmente longe.

Nesse momento nem sei se sou adulto ou criança. E literalmente nesse momento nem sei.

Eu gosto do som presente dos anúncios frequentes no hall do aeroporto.
Adoro perceber que o voo já aterrou.
A ansiedade se faz presente e o misto entre expectativa, saudade e emoção tem picos que vão ao topo cada vez que a porta do desembarque reabre para sair novo grupo de passageiros. Mas a espera continua.

Olho para o relógio e não tenho rigorosamente nada mais a fazer senão esperar. A adrenalina se manifesta com uma força comparável a um salto de bungee jumping e os olhos ficam apontando somente para aquela porta automática onde o guarda está posicionado com os braços para trás e a olhar a bagagem de todo o pessoal que está saindo.

Finalmente a porta se abre e vejo o meu amor. Que alegria! Que momento lindo!
A emoção toma conta. O entusiasmo absorve todo o raciocínio lógico e o coração fala mais do que a razão.
Sem dúvida nenhuma é um momento maravilhoso!

Mas, como tudo o que é bom acaba, os dias passam rápido e o prazo da visita termina.
Retorna ao mesmo aeroporto. Começo a perceber, agora no portão de embarque que as luzes nem são assim tão bonitas. Que o som dos anúncios frequentes é uma coisa chata. E que aquele enorme prédio nada mais tem para além de balcões e máquinas.

Encontrei há muitos anos uma música de um amigo pessoal meu, chamado Milton Nascimento, que descreve com precisão esse momento. Essa música chama-se Encontros e Despedidas.

A intensidade de deixar partir quem a gente ama é de tal maneira avassaladora que nem percebemos que neste mesmo aeroporto tem no outro gate gente com o mesmo sorriso que eu tinha quando fui receber a minha mãe.

Maldito aeroporto. Enfim, a vida é feita de encontros e despedidas.

Fica aqui a minha indicação musical, porém com a experiência de já ter vivido cada sílaba citada pelo Milton Nascimento.

Disfrutem!

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