Nós e a tecnologia

13.9.15


Texto por Giovani Goulart

Você já reparou a quantidade de vezes em que já ouviu a mesma música, já repetiu a mesma comida, a mesma sobremesa, o mesmo paladar e até mesmo a mesma roupa? Proponho então que passemos a pensar no termo identificação natural.

Hoje em dia com o evoluir veloz da tecnologia, do recurso, da informática, do consumismo e das impostas mudanças de hábito, estamos sendo conduzidos, mesmo sem perceber, a um estado de perda de identidade ou de referenciais que para além de nos fazerem muito bem, nos identificam.

Há alguns anos atrás eu aprendi umas canções e casualmente não foi preciso ouvir mais do que duas ou três vezes para decorar a letra por completo. E, hoje, lembro de dezenas delas com a mesma convicção de que recordo detalhadamente o gosto do churrasco gaúcho, da comida do Rio Grande do Sul ou dos temperos mágicos da minha mãe.

Obviamente que esse facto não acontece só comigo, nem é um privilégio meu, mas sim uma característica do ser humano que o torna autêntico, que o consegue localizar no tempo e no espaço e lhe dá um referencial evolutivo de personalidade singular, mesmo embora esse efeito seja comum a todo o ser humano. Assim sendo, comecei a reparar em colegas e amigos que querem ter um celular novo, um periférico qualquer novo (topo de gama) e, até mesmo, se deixam iludir pelos termos que nada mais são do que vícios da falácia, quando repetem o que os outros dizem. Nomeadamente posso citar algumas expressões mais corriqueiras: "este telefone nos melhora a nossa vida", "eu fiquei mais organizado depois que comprei o meu tablet" e ainda, há uma frase, no meu modo de vista mais abominável, que é "a nossa vida melhorou muito com a evolução tecnológica e com o apoio dos computadores". Logicamente que eu não sou fundamentalista, também utilizo computadores e tenho celular ou tablet mas, tal como referi no início, ainda tenho a consciência de que não é isso que me identifica e engana-se quem pensa que eu me deixarei levar por opiniões alheias.

Afinal, você é mais você com o que compra? Ou com o que você vivencia?

Verdadeiramente não existe personalidade no seu equipamento e sim nas coisas do seu coração, do seu carácter, da sua forma de sentir, nos seus valores e, acima de tudo, na simplicidade de saber viver e conviver.

Por fim, quando olho ao meu redor e vejo que hoje em dia a tecnologia nos acompanha, sorrio sozinho porque embora todo esse material até seja útil, eu continuo com saudade das canções, do paladar, das vozes, dos abraços e do maravilhoso convívio com colegas e amigos, família e mais chegados, e nem sequer, por um dia, sinto falta de qualquer periférico, nem saudade de estar em frente a um ecran a digitar textos que infelizmente nem todos são capazes de interpretar.

Te sentes melhor preso ao teu computador? Ou rindo e brincando em uma roda de amigos?
Pensem nisso!

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