O que eu aprendi no emprego que nunca imaginei ter

3.12.15


Ao fim de 10 anos sempre trabalhando exclusivamente na área da música, nunca imaginei que algum dia teria um emprego diferente, completamente estranho para mim e que fugia à minha formação profissional.

Pouco depois da minha mudança para o Canadá, fui contratada como funcionária no departamento de amostras grátis de uma empresa de impressão, especializada em cartões pessoais. Rapidamente estava como chefe de departamento, havia reorganizado todo o espaço e sabia identificar cada material e técnica utilizada (imaginem cartões de algodão, bamboo, madeira, seda, kraft ou mesmo de papel com coberturas mais e menos brilhantes, tintas especiais, relevos, efeito 3D, diferentes espessuras e tamanhos,...).

Porém, mesmo tendo acedido a fazer aquele trabalho naquele momento da minha vida, eu nunca aceitei a ideia de ficar ali para sempre, muito menos de me acomodar. Aquele lugar cumpriu apenas a sua função de me ajudar enquanto eu permiti.

Quantas pessoas que estão lendo agora começaram com empregos que não queriam? Ou aceitaram um part-time em outra área dos estudos para conseguir o rendimento que pagava as contas?

Todas as experiências são proveitosas quando consideramos reflectir sobre elas e verificar o que nos trouxeram.


1) Somos o que somos em todos os empregos que temos

Os "traços" profissionais, que fazem parte da nossa personalidade, como ser paciente, comunicador, preguiçoso, desleixado, perfeccionista, rápido a aprender ou a executar, eficiente, etc. não mudam. Em alguns casos, dependendo da função, estes traços se intensificam. Ou, em casos menos esporádicos, se a pessoa tiver um psicológico fraco, ela pode se deixar levar pela desmotivação.

Acredite, se sempre procura fazer um trabalho de qualidade, você é assim ao natural em qualquer emprego. Num departamento com milhares e milhares de amostras, eu rapidamente dominei todos os designs. Frequentemente me perguntavam qual o material ou a técnica usada em determinado design e eu respondia sem pensar duas vezes. Também nunca tinha pegado em cartões pessoais de madeira e, de repente, em pouco tempo, já dominava os 7 tipos de madeira, sabendo cada espessura ou técnicas de impressão possíveis em cada um.


2) Ao natural nunca perdemos a ligação com a profissão que amamos

Em momento algum deixei de ser pianista, regente ou professora de música. Quando alguém me perguntava sobre o meu emprego, eu sabia que eu continuava sendo profissional da música, apesar de agora ter um outro emprego acontecendo literalmente das 9 às 5. O título do emprego que queremos deve permanecer mais forte em nossa mente do que aquele que temos naquele momento.

Isto me recorda aquela famosa anedota (que acontece milhares de vezes na vida real) sobre a conversa entre o namorado novo e o respectivo sogro:
- O que você faz da vida?
- Sou músico!
- Ok, mas o que você faz mesmo na vida como emprego?
- Sou músico!
- Eu já entendi, mas o que você faz na vida como emprego para pagar as suas contas?"

Este é o tipo de situação que acontece frequentemente a quem trabalha na área das artes como escritores, pintores, dançarinos,... Durante 10 anos sustentei-me apenas da música com muito orgulho! Não é algo impossível, embora exigente! O único momento em que o sistema falhou foi quando a escola onde trabalhava ficou mais de 3 meses sem pagar vencimento e os locais onde tocava (alguns culturalmente influentes) adiavam os pagamentos dos concertos já realizados por meses e anos. Ao fim de uns anos a gente continua amando a nossa profissão, mas sentindo que não pode remar contra a maré naquele lugar ou contexto. Procuramos melhorar a situação e aceitamos determinadas condições em prol de continuar lutando pela conquista dos nossos sonhos.


3) Cada emprego ensina-nos algo importante para o emprego dos nossos sonhos

Mesmo quando não parece, cada emprego tem algo único de muita utilidade na nossa jornada profissional (e também pessoal). Lidamos com diferentes pessoas, materiais, situações e desafios. Também aprendemos a valorizar mais determinadas funções.

Não pense que os clientes são diferentes ou podem ser "melhores" e "mais pacientes" em outro serviço que faça. No máximo, quando encontrar um cliente/paciente/consumidor diferente, irá juntar essa experiência ao seu portfolio e enriquecer a sua habilidade e perícia.

Descobrimos as coisas boas e más de cada emprego rapidamente. Nossa mente nos transmite se "jamais imaginei gostar tanto de fazer isto" ou se "não me imagino a fazer isto todos os dias da minha vida"! O que é muito bom se você não sabe o que está perseguindo na vida: esse emprego dá-lhe a certeza prática das funções que gosta e não gosta, de coisas que não estão tão longe assim de alcançar, de como você domina áreas que não imaginava e de como sua motivação se move entre as funções que tem.


Seja qual for o título do seu emprego atual, abrace o seu sonho e continue se afirmando pelo que você persegue na sua vida

Em cada fase da nossa vida temos de abraçar diferentes oportunidades e desafios. Muitos jovens têm de trabalhar em cafés e restaurantes contra a sua vontade enquanto estudam para poderem sustentar as suas contas e continuarem a lutar pelos seus sonhos. Outras pessoas, quando mudam de país como eu, por exemplo, têm de recomeçar por outras profissões também.

Nem sempre o sonho profissional de cada um paga as suas contas naquele momento, mas isso não quer dizer que se desista. O contacto certo pode surgir onde menos se espera ou o negócio com que sempre sonhou pode crescer a ponto de se tornar a renda principal.


Já identificou qual é o seu sonho? Persiga-o!
Ainda não? Continue atento e trabalhando cada dia para isso!

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3 comments

  1. Olá Fátima! Gostei muito do post! Mesmo quando queremos muito uma coisa devemos dar valor ao que temos e aproveitar a experiência que estamos a viver! Acho que o difícil quando se tem um determinado sonho é isso mesmo, contrabalançar a experiência actual com aquilo que queremos no futuro :) beijinho

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    1. Obrigada Ana, é um carinho para mim te receber por cá!
      Concordo contigo! Às vezes temos pressa demais, alguma ansiedade. Mas cada fase tem o seu momento! :-)

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    2. Olá Fátima, sempre admirei a tua coragem! Concordo plenamente contigo e revejo-me nessa situação , pois foi assim que consegui, sempre lutei pelos meus sonhos e nunca desisto, por isso força , os objetivos são para cumprir e as metas para atingir!

      bjs

      Emília Vintena

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