Como eu vivo sem telemóvel/celular

5.3.16



Há pouco mais de uma semana mandei cancelar o meu número de telefone. Achei que ainda utilizaria as funcionalidades do smart phone, mas nem isso se verificou. Partilho convosco como o processo foi tão natural para mim.

Sempre fui muito desenrascada. Gosto de tecnologia e de tudo que torna a vida mais prática. O iphone foi para mim um presente bendito! Esse telemóvel fez-me muito feliz, utilizava-o para quase tudo! Porém o meu estilo de vida mudou. Antes era capaz de ter todos os contactos de colegas da escola, de trabalho, de instituições e de tudo, mas agora tenho muito bem definido o que quero para mim.


Minha análise dos últimos meses

Desde o ano passado que praticamente não uso o telemóvel. Apercebi-me que ele não saía da gaveta. Quando me lembrava, porque alguém referia entrar em contacto, havia passado mais de uma semana e a sua bateria já havia descarregado. No mês de Fevereiro devo tê-lo posto a carregar umas duas vezes... no máximo. Os contactos têm sido sempre feitos pelo facebook, skype, email ou telefone do marido, dependendo da situação.

Antes usava com frequência várias aplicações excelentes do iphone, mas incomodava-me a percepção de estar perdendo tanta coisa enquanto tinha a cabeça enfiada naquele écran. Por inúmeras vezes, vivenciei situações nos outros que me incomodavam e faziam desejar não ser essa personagem principal: aquela pessoa que durante uma conversa ou refeição fica insistentemente controlando as notificações do telemóvel, haja ou não alguma notificação; a dona daquele telefone que toca no meio de um concerto, de uma reunião importante ou num local sagrado, mesmo sabendo que às vezes isso acontece por pura distração ou esquecimento... a verdade é que esse tipo de coisas acontece todos os dias e o tempo que o telemóvel nos suga é bem maior do que parece!


Sem telemóvel oficialmente

Entre não utilizar o telemóvel e mandar cancelar o número vai um passo consideravelmente grande. Do mesmo modo como consideramos não deitar algo fora pois "podemos precisar no futuro", manter o número parecia uma segurança necessária nesta geração. Afinal, cada vez que usamos um serviço é-nos pedido o número de telefone como algo mais importante do que o próprio número de identificação fiscal (correspondente ao CPF para os brasileiros). Já me aconteceu necessitar obrigatoriamente do número de telemóvel para validar um cadastro online! Bem como rirem-se de mim quando digo que não uso telemóvel...

A minha reflexão estava clara e, pelo sim pelo não, decidi experimentar não ter o número, nem que fosse por uns meses. Foi uma decisão pensada, pessoal e sem foro financeiro. Não houve mudança de rotina, uma vez que já há vários meses não utilizava o telefone por minha iniciativa, e qualquer contacto mais importante sabia que seria mais fácil "apanhar-me" pelo número do marido.



Análise do momento pós

Sinceramente, não pensei no assunto depois que cancelei o número. O telemóvel tem estado sempre desligado desde que ficou sem bateria, facto que não me apercebi também! E a hipótese de, mesmo sem número, utilizá-lo para tirar fotografias ou para usar aplicações através da internet wireless em casa, já morreu.

Sei como muita gente afirma que "não vive sem o telemóvel". Eu considerei isso um dia também, mas a minha vida mudou. Todos estes anos direcionados para uma vida mais simples mudaram as minhas necessidades e a consciência daquilo sem o qual "eu não vivo mesmo"! Tudo tem alternativa, no meu caso. Ou antes, a alternativa passou a ser o próprio telemóvel, o qual eu lembro apenas quando alguém refere!

Ainda falo com todos que falava antes. Ainda me atualizo das novidades pelo facebook (no momento certo pelo computador). Vivo mais cada momento em que saio de casa. A simples saída ao supermercado ou a um jardim ganha muito mais significado, pois estamos mais conscientes do presente naquele local. Suas tarefas não são mais interrompidas por telefonemas sem importância. E você se mantém contactavel por outros meios, mesmo quando está fisicamente distante de pessoas queridas.

Uma ilustração breve que vejo muitas vezes: hoje na visita a uma amiga você fica mandando mensagem para outra. No dia a seguir você está com a outra amiga mandando mensagem para a primeira. Onde você aproveitou realmente? Enquanto você fica duas horas trocando mensagens com alguém, você poderia estar presencialmente dando risada e aproveitando profundamente o seu tempo com aqueles que tem por perto...

Se você quer dar mais significado à sua vida, desprenda-se do telemóvel. Não precisa cancelar como eu fiz, mas pode simplesmente começar por passar menos tempo nele... ou ser mais consciente sobre a sua utilização.

Quantas vezes deixou de prestar atenção a alguém ou a um momento devido a algo sem significado no telemóvel? Viva intensamente o momento!

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4 comments

  1. Nao sei se ia conseguir viver sem o telemóvel. Eu sei que já o fiz antes. Cresci na altura em que só havia telefone em casa. Mas a viver em Londres seria quase impossível nao ter telemóvel. Até por uma questão de segurança já que nunca sabemos quando é preciso fazer uma chamada urgente ou consultar mapas quando nos perdemos. Mas fiquei a pensar que talvez o use um pouco demais e vou tentar reduzir a utilização principalmente em situações sociais. Bom post!
    Beijinhos, Sofia

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  2. Wow, what a great step! I would love to live without my phone. I don't know if I will give it up completely - I like to have it on me when out walking in the dark - but I have definitely been more intentional about using it less.

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  3. Minha querida estás de parabéns! Viver sem telemóvel nos dias de hoje não é para qualquer um. O desapego tem um poder enorme de nos tornar pessoas melhores. E com este passo na tua vida vais sentir muito isso, com toda a certeza. Parabéns por isso.
    Beijinho grande e boa semana

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  4. Muito interessante sua experiência. Obrigada por compartilhar! Comprei um smartphone em setembro/2015 (antes só tinha celular para fazer/receber ligações) e tem sido útil para muitas coisas, mas não sou apegada e considero meu uso muito sensato e eficaz. Mas realmente tem muita gente por aí que, ao invés de usar o aparelho, é usada por ele.

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