Eu, com 70 anos

22.3.16


Os olhos não enganam. Nesta idade a cabeça não ajuda, a memória tropeça e os movimentos se tornam limitados. Mas se tem coisa que no meio de tudo isto não falha é o riso. E que grande gargalhada sai por essa voz rouca! As histórias da infância continuam todas nesse disco rígido meio riscado. Sei que repito algumas delas sem me aperceber, mas não deixo de soltar aquela hilariante risada dos tempos em que nada mais era preciso senão nós mesmos!

Afinal o que permanece nessa vida?
Os filhos cresceram, os netos nos relembram o amor de pais e os bisnetos não demoram a despontar. As fotografias e os vídeos não trazem mais do que memórias, mas o que marca é o sentimento e a intensidade do que vivemos. O que lembro hoje de um concerto não é o segundo da selfie, mas sim o convívio, o riso, a música, a dança e o bom momento. Tanta coisa que os meus olhos ainda sorriem ao lembrar!

A minha casa não mostra nem metade do que eu vivi. Mas a minha risota? Essa contagia qualquer um na vizinhança! Atrai também aqueles curiosos que não conhecem o que é ser feliz com experiências ricas, criatividade voluntária e uma satisfação descomunal de um tempo em que se vivia as pessoas e não os objetos.

Quanta jarra partiu e quanto amigo passou por mim. Mas o que realmente fica é o amor.
Não, não tenho 70 anos ainda. Nem perto disso! (gargalhada!!)
Mas hoje vou rir muito com todos os dentes!

You Might Also Like

2 comments


  1. Depois de tanta vivência, há licença poética para esquecer e andar devagar, o riso solto vem naturalmente como forma de distribuir o grande amor que mora no peito!

    Adorei! :)

    ResponderEliminar
  2. Lindo texto querida Fátima. Obrigada <3

    ResponderEliminar